quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

De todas as minhas dores

Já não é de hoje que me dói. Dor no joelho por estar escalavrado, torcido ou simplesmente doído. É aquele tipo de coisa que dói por doer mesmo. Dor na cabeça de pensar e fazer ela girar tanto e tantas vezes em pouco tempo, ou simplesmente por que a tv estava no caminho da cabeça e agora está doendo. Dor nas costas, nos pés, na garganta. Essas dores já fazem parte do dia a dia. Elas doíam mais quando eu dava mais atenção e mais remédios pra elas. Me acostumei melhor com essas dores depois que outras chegaram. Afinal, o novo é sempre mais interessante.

Um dia estava deitada no sofá da sala de madrugada, pensando. Imaginando. Sentindo falta. Saudade. Mas era diferente, era uma saudade apertadinha, daquelas que dá vontade de sair correndo atrás daquilo que nos dá saudade. Era uma dor. Uma nova dor para minha coleção. Cheguei a conclusão que nunca havia sentido saudade antes, por que na verdade a saudade é como uma agulha bem fininha. Ela arranha um pouquinho e a gente não vê, mas quando a água quente do chuveiro passa ali, parece que arde de dentro pra dentro, mesmo. Só que com saudade toma-se vários banhos quentes por dia.

Outra vez eu assistia a uma cena, ao vivo. Eu não sabia por que mas eu queria muito sair dali, aquilo me incomodava e me dava vontade de fazer alguma coisa que fizesse parar. No fundo eu sabia que não ia fazer nada. E no fundo eu já sabia que era só um ciúmes dolorido. Logo eu, que nunca fui ciumenta, engolindo minhas própria palavras arranhadas.

Mas a maior das dores veio depois. Se sentir responsável pela dor de alguma outra pessoa dói mais que saudade, mais que ciúme, mais que raiva, mais que que todas. Olhar bem pro outro e vê-lo triste. Ouvir dele que é tudo por ti. O pior da dor da culpa não é a tristeza do outro, é saber que sim, tu podes fazer algo e mudar isso mas o teu egoísmo não deixa. No final das contas ninguém fica feliz, por que um sofre e o outro fica com o peso da culpa. Aprendi a evitar este peso, e me assumir uma efetiva e ativa egoísta. Não, procurar a minha felicidade nunca mais me doeu, desde então.

Todas essas dores são diferentes das dores físicas. Não sei dizer qual delas eu prefiro, por que todas elas já fazem parte de mim. Elas e mais uma. Essa uma eu não sei se é dor de verdade ou se o vazio aumentou tanto que ultrapassou os limites do peito e começou a doer também. Eu não sei se é uma culpa modificada, eu não sei de nada a respeito dela. Pode ser todas as anteriores somadas a inutilidade na qual me encontro, pode ser tantas coisas. Só sei que essa não é como as outras e essa eu não quero que faça parte de mim, como as outras.

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Não quero mais

Engraçado. Imaginar e planejar as coisas é tão fácil, mas tão fácil que quando não se está fazendo nada é só isso que se faz. Mais ou menos assim ó: Olhando pra frente, tá tudo bem, um mês sem fazer nada não vai me matar e não vai alterar minha sanidade mental né? Hehe, é só um mês e os meses tem passado cada vez mais rápido. Ledo engano, o tempo só passa rápido quando se tem alguma coisa pra fazer ele passar. O tempo é relativo e isso é sério! Quando se passa o dia todo fritando a cabeça dentro dela própria, o tempo não passa rápido, não.

Inclusive, nessas situações o tempo acaba voltando. Voltando mesmo, mas sempre dentro da sua relatividade, claro. Velhas manias revivem, velhas pessoas reaparecem. Coisas que a princípio haviam sido deixadas pra trás voltam como se nunca tivessem saído daqui. E como se fosse a coisa mais normal do mundo, eu me sinto fraquinha. Por vezes quase indefesa. Qualquer vento que passe parece me levar, qualquer cheiro que eu sinto me encanta. Enfim, me vejo vulnerável e leviana. Onde estão todas as coisas que eu aprendi, hein? Toda a coragem que eu tinha? Será que tudo isso funciona só sob pressão? Aliás, será que eu só funciono sob pressão? Tá, eu sei que eu não gosto de ter tempo pra fazer as coisas, não gosto de ter tempo de me perder por que na verdade, eu sei que sempre acabo me perdendo.

Me disseram que eu preciso viver um dia de cada vez, mas depois de fazer isso por uns dias eu não quero mais. Não quero mais mesmo, assim não tem graça. Eu quero acordar de manhã e sair, passar meus dias vendo vida além das que eu já conheço. Voltar pra casa com um pouco menos de fé no mundo e nas pessoas. Eu preciso disso, eu quero uma conversa diferente por dia, por que falar só das mesmas coisas me leva a pensar só nas mesmas coisas também, e assim não dá. Eu quero ir pra frente e eu vou ir. Eu tenho muita coisa me esperando e eu não posso mais esperar elas chegarem! Cada coisa tem o seu tempo o caralho! E não me venha com essa história de dar tempo ao tempo. Eu quero, eu posso e eu vou. E de mais a mais, o que eu sou não vai mudar com a falta de prática, mesmo.