Sorrisos, gestos, olhares...
Uma palavra dita na hora certa, um aperto a mais no abraço.
Tão pequeno, delicado e sutil.
Invisível aos insensíveis.
Incomparável, incalculável.
Por que, sabe... São essas coisinhas...
Isso sim, faz toda a diferença.
terça-feira, 11 de maio de 2010
Juventude perdida
Se há alguns anos atrás a juventude era uma banda numa propaganda de refrigerantes, ultimamente a juventude tem sido a maior piada da atualidade. Nos jornais, na internet, em casa, só o que se faz é dizer que tudo é uma fase e vai passar. Nos programas destinados ao público jovem, belos rostos acéfalos são empurrados goela abaixo para que os pobres jovens, tão carregados de carência e descarregados de consciência, possam idolatrar. As músicas não passam de uo-ou yeah-eh e não dizem nada, e eu ainda nem falei do preconceito com tudo aquilo que nasceu antes deles, do "fechadismo mental" que muitos carregam.
Mas nem toda a culpa é deles. O se pode esperar de uma geração criada a bbb, malhação, novela, estágio em órgão público, futebol e todas essas outras coisas que vão impondo uma certa atrofia cerebral nas pessoas? Tem gente que culpa o excesso de informação, mas logicamente isso deveria se reverter de uma maneira positiva, e não negativa. Com um mundo inteiro em alguns cliques, as pessoas deveriam crescer mais conscientes e interessadas por tudo, mas é tão mais fácil tirar algumas fotos com a câmera estrategicamente posicionada, fazendo com que sua aparência transmita uma maturidade que não existe, não é?
A juventude contemporânea se vê cada vez mais sem propósito, cada vez mais obrigada a aceitar tudo que lhe é imposto, a se incluir num padrão social criado justamente para que não hajam questionamentos, para que ninguém pense diferente. E quando eles têm oportunidade de pensar diferente, se negam! As matérias menos levadas a sério no ensino médio são filosofia, sociologia - as únicas que dão oportunidade e liberdade de pensamento aos estudantes. Por que isso? Acham cansativo demais pensar? Difícil demais para entender? E a liberdade, que tanto buscam em seus estágios porcamente remunerados? Não entendem que, apesar disso lhes ter sido costurado na mente ao longo da vida, não é só o dinheiro que traz liberdade. Não entendem que para ser livre é preciso que isso seja vivido, compreendido e não comprado.
Mas ainda creio que o pior disso tudo não é a maioria. É a minoria oprimida - os que notam. Os que buscam alguma coisa a mais do que passar em um concurso e ganhar dinheiro por não fazer nada. Os que questionam a vida que levam, os que sonham com uma vida diferente para eles e para os que neste mundo vivem ou viverão. Os que amam, os que sentem, os que estudam, que criticam. Os que sonham não em casar, ter filhos e morrer como manda o código-de-vida-certa, mas em encontrar o real sentido para sua própria existência. Estes são vistos com olhos de reprovação. "Como é que não gosta de carnaval, futebol? Por que passa tanto tempo lendo ao invés de ir para a balada com os amigos? Deve estar doente! E essas músicas? Já ouviu isso? Que absurdo!"
A minoria incompreendida, que tenta se desamarrar de tudo que lhe é imposto, esta é a errada. O que mais escuta lhe dizerem é que está lutando numa batalha perdida, que a vida é assim mesmo e que com o tempo vai entender e aceitar. Mas o que quem diz isso não entende é que o comodismo não leva a lugar nenhum. Não entende que isso não é revolta, não é batalha. Isso é resultado da vida vazia que querem nos impor, sem caminhar nos próprios pés, sem amar, sem conhecer, sem se arriscar, sem encontrar nada que preencha esse vazio. Sem ser feliz de verdade. Não entende que se o futuro da nação se desilude com sua própria vida, antes mesmo de tentar alguma coisa, o fim do mundo deveria ser antecipado.
Mas nem toda a culpa é deles. O se pode esperar de uma geração criada a bbb, malhação, novela, estágio em órgão público, futebol e todas essas outras coisas que vão impondo uma certa atrofia cerebral nas pessoas? Tem gente que culpa o excesso de informação, mas logicamente isso deveria se reverter de uma maneira positiva, e não negativa. Com um mundo inteiro em alguns cliques, as pessoas deveriam crescer mais conscientes e interessadas por tudo, mas é tão mais fácil tirar algumas fotos com a câmera estrategicamente posicionada, fazendo com que sua aparência transmita uma maturidade que não existe, não é?
A juventude contemporânea se vê cada vez mais sem propósito, cada vez mais obrigada a aceitar tudo que lhe é imposto, a se incluir num padrão social criado justamente para que não hajam questionamentos, para que ninguém pense diferente. E quando eles têm oportunidade de pensar diferente, se negam! As matérias menos levadas a sério no ensino médio são filosofia, sociologia - as únicas que dão oportunidade e liberdade de pensamento aos estudantes. Por que isso? Acham cansativo demais pensar? Difícil demais para entender? E a liberdade, que tanto buscam em seus estágios porcamente remunerados? Não entendem que, apesar disso lhes ter sido costurado na mente ao longo da vida, não é só o dinheiro que traz liberdade. Não entendem que para ser livre é preciso que isso seja vivido, compreendido e não comprado.
Mas ainda creio que o pior disso tudo não é a maioria. É a minoria oprimida - os que notam. Os que buscam alguma coisa a mais do que passar em um concurso e ganhar dinheiro por não fazer nada. Os que questionam a vida que levam, os que sonham com uma vida diferente para eles e para os que neste mundo vivem ou viverão. Os que amam, os que sentem, os que estudam, que criticam. Os que sonham não em casar, ter filhos e morrer como manda o código-de-vida-certa, mas em encontrar o real sentido para sua própria existência. Estes são vistos com olhos de reprovação. "Como é que não gosta de carnaval, futebol? Por que passa tanto tempo lendo ao invés de ir para a balada com os amigos? Deve estar doente! E essas músicas? Já ouviu isso? Que absurdo!"
A minoria incompreendida, que tenta se desamarrar de tudo que lhe é imposto, esta é a errada. O que mais escuta lhe dizerem é que está lutando numa batalha perdida, que a vida é assim mesmo e que com o tempo vai entender e aceitar. Mas o que quem diz isso não entende é que o comodismo não leva a lugar nenhum. Não entende que isso não é revolta, não é batalha. Isso é resultado da vida vazia que querem nos impor, sem caminhar nos próprios pés, sem amar, sem conhecer, sem se arriscar, sem encontrar nada que preencha esse vazio. Sem ser feliz de verdade. Não entende que se o futuro da nação se desilude com sua própria vida, antes mesmo de tentar alguma coisa, o fim do mundo deveria ser antecipado.
segunda-feira, 3 de maio de 2010
A Vitória, dos Volantes. Por Valéria.
Me diga sinceramente, quanto tempo mais você quer? Pra que fazer mais charme? Quer ver até onde eu aguento antes de desistir? Por que olha, uma hora eu vou desistir, uma hora eu desisto de ser um fim tão mais fácil. Uma hora eu deixo de achar que o teu abraço faz sentido pra mim. Pare um pouco e ouça bem pra depois não vir dizer que eu não avisei você: Um dia isso vai acabar! Não é que eu queira cantar vitória, mas por favor, vê se não demora mais, não. Entrego meu reino inteirinho por não ter que te esperar mais. Eu sei que tu gosta que eu o faça, mas eu não vou mais insistir, eu já cansei. Dessa vez, se você quiser que venha até aqui. E não é que eu ache que você já não esteja sabendo, mas é que eu não vou dificultar... É que eu sempre quis você, basta você sorrir pra mim... Pra eu ficar perdida. Pra em questão de segundos, quebrar meses de promessas - tanto minhas quanto tuas. Pra esquecer que existem outras pessoas nessa festa, nesse mundo. E só não me engana de novo, tá? Por que, cegamente, eu sempre vou achar que, enfim, chegou a nossa vez.
domingo, 2 de maio de 2010
Velharias e ficção (ou não)
A velha cadeira rangia mais do que a porta que, sem sucesso, ele havia tentado abrir sem fazer barulho. O auge do inverno entrava pela janela, que mostrava a rua vazia e coberta pela neblina daquela madrugada. Não era uma alegre noite de sexta-feira, nem de sábado, e além do mais ele já devia estar em casa há horas, e não ali.
No fundo, ele sempre soube que conheceria aquele lugar, mais cedo ou mais tarde. Havia chegado a conclusão de que aquele era o momento errado, tudo que desejava era acordar e estar na sua cama torta, no seu colchão fino. Mas isso não ia acontecer, e pelo andar da carruagem nem dormir ele ia.
Ficou abraçado em si mesmo, tendo somente ele mesmo para se proteger do frio. No fundo ele sabia que somente ele poderia evitar qualquer coisa que não lhe fizesse bem, mas ultimamente seus anticorpos andavam falhando. Aproveitou a solidão do momento - como se ele não estivesse sozinho em todos os momentos - para olhar um pouco pra dentro. Andou até a janela, e a medida que andava sentia mais frio. Parou em frente ao vidro e olhou no seu reflexo semi-transparente, seus cabelos desajeitados, seus olhos inchados - talvez ele havia chorado sem perceber que o fazia. Olhou suas roupas, sua pele arrepiada, olhou seu coração. Seu coração permanecia vazio.
Naquele momento se lembrou de uma conversa que teve com uma amiga. Neste dia ele disse à ela que encarasse sua vida com maior intensidade. Disse que na realidade acreditava que não tinha sentido viver se fosse somente para acordar de manhã e ir trabalhar, sem sentir aquela brisa da manhã que discretamente parecia lhe rasgar o rosto. Ele também disse à ela que se dedicasse a conhecer as pessoas mais profundamente, que se dedicasse a chegar no coração delas. Lembrando-se disso sentiu um nó na garganta e percebeu que ele havia dito à ela tudo que ele pensava e acreditava, e dessas coisas que ele disse poucas ele fazia (ou quase nenhuma). Talvez fosse isso que faltava, talvez fosse esse o vazio que lhe invadia.
Pensou em colocar gelo para que seus olhos desinchassem, mas logo desistiu. Ele sabia que ia chorar muitas outras vezes naquela noite. Não era todo dia que ele chorava em lugares estranhos, não era todo o dia que ele lembrava das conversas que ele tinha com a sua amiga. Não era todo dia que ele parecia se entender.
Ficou com medo de sair dali. De ver o que ele não queria. Da porta ou da cadeira rangerem. Ficou com medo de acordar alguém, mesmo sem nem saber quem estava dormindo. Aliás, ficou com medo de não conseguir dormir. Ficou com medo de se dedicar às pessoas e estas lhe decepcionarem. De continuar dando conselhos que nem ele seguia. Medo de seguir estes conselhos. Medo de se entregar ao seu próprio coração e algum dos dois não conseguirem suportar. Medo do frio e da solidão. Naquele dia ele sentiu muito medo, sentiu muito frio. Sentiu muito por ele. Mas sobretudo, sentiu medo que todos os seus medos lhe impedissem de se livrar deles.
No fundo, ele sempre soube que conheceria aquele lugar, mais cedo ou mais tarde. Havia chegado a conclusão de que aquele era o momento errado, tudo que desejava era acordar e estar na sua cama torta, no seu colchão fino. Mas isso não ia acontecer, e pelo andar da carruagem nem dormir ele ia.
Ficou abraçado em si mesmo, tendo somente ele mesmo para se proteger do frio. No fundo ele sabia que somente ele poderia evitar qualquer coisa que não lhe fizesse bem, mas ultimamente seus anticorpos andavam falhando. Aproveitou a solidão do momento - como se ele não estivesse sozinho em todos os momentos - para olhar um pouco pra dentro. Andou até a janela, e a medida que andava sentia mais frio. Parou em frente ao vidro e olhou no seu reflexo semi-transparente, seus cabelos desajeitados, seus olhos inchados - talvez ele havia chorado sem perceber que o fazia. Olhou suas roupas, sua pele arrepiada, olhou seu coração. Seu coração permanecia vazio.
Naquele momento se lembrou de uma conversa que teve com uma amiga. Neste dia ele disse à ela que encarasse sua vida com maior intensidade. Disse que na realidade acreditava que não tinha sentido viver se fosse somente para acordar de manhã e ir trabalhar, sem sentir aquela brisa da manhã que discretamente parecia lhe rasgar o rosto. Ele também disse à ela que se dedicasse a conhecer as pessoas mais profundamente, que se dedicasse a chegar no coração delas. Lembrando-se disso sentiu um nó na garganta e percebeu que ele havia dito à ela tudo que ele pensava e acreditava, e dessas coisas que ele disse poucas ele fazia (ou quase nenhuma). Talvez fosse isso que faltava, talvez fosse esse o vazio que lhe invadia.
Pensou em colocar gelo para que seus olhos desinchassem, mas logo desistiu. Ele sabia que ia chorar muitas outras vezes naquela noite. Não era todo dia que ele chorava em lugares estranhos, não era todo o dia que ele lembrava das conversas que ele tinha com a sua amiga. Não era todo dia que ele parecia se entender.
Ficou com medo de sair dali. De ver o que ele não queria. Da porta ou da cadeira rangerem. Ficou com medo de acordar alguém, mesmo sem nem saber quem estava dormindo. Aliás, ficou com medo de não conseguir dormir. Ficou com medo de se dedicar às pessoas e estas lhe decepcionarem. De continuar dando conselhos que nem ele seguia. Medo de seguir estes conselhos. Medo de se entregar ao seu próprio coração e algum dos dois não conseguirem suportar. Medo do frio e da solidão. Naquele dia ele sentiu muito medo, sentiu muito frio. Sentiu muito por ele. Mas sobretudo, sentiu medo que todos os seus medos lhe impedissem de se livrar deles.
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