quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Coisas soltas na borda da página

Na verdade queria que você passasse aqui na frente do portão enquanto eu fosse olhar as correspondências. Que daí a gente podia entrar, tomar um suco e conversar um pouco sobre essas coisas que a vida faz com a gente. Você poderia me contar daquilo que te encomodou ou daquilo que te deixou feliz hoje. Eu poderia te contar do sonho que eu tive esses dias. Foi lindo, e ah, não te contei né? Você estava nele. Estava feliz como há tempos não te vejo e sorria como se nunca tivesse deixado de fazê-lo. E a gente ia rir do sonho, ia rir da minha cadelinha que corre torto e late baixinho achando que assusta. E eu ia te oferecer mais um pouco de suco pra gente ter mais tempo pra conversar. E daí eu ia te mostrar uma música que há tempos quero que você escute. Não sei se você ia gostar, mas ela me lembra muito de você e eu ia gostar de te dizer isso, ia querer saber o que você acha. Depois eu até podia fazer alguma coisa pra gente jantar, ou também a gente podia sair pra passear um pouco pela rua. Essa noite tá tão agradável. Na verdade queria te ouvir um pouco. Eu falo demais e sei disso. Mas você não imagina como eu gosto de te ouvir. Eu poderia ficar horas te ouvindo. Tuas histórias, teus anseios, tuas dúvidas, tuas certezas. Você.