Era uma linda história, dessas histórias que tinham tudo para dar certo. Qualquer um que possuísse um resquício de coração conseguiria perceber que aquela história, ela daria certo como nenhuma outra história jamais havia dado. Que era escrita no vento gelado do inverno, e dançava sobre as árvores secas dos parques. Talvez ela não fosse para sempre e talvez também não fosse plenamente perfeita. O que não a impossibilitaria de ser a história que daria mais certo entre todas aquelas que deram certo.
Mas havia medo. E segredos. Havia mentira, também. E ventos fortes demais, que escreveram fora do inverno e secaram não somente as árvores, mas todo o resto da vegetação. E então deixou de dar tão certo quanto antes. E então passou a doer. E permeneceu machucando por mais um tempo. E passou o tempo, também. E deixou marcas, e fez crescer. Surgiram, então, diversas outras histórias para que esta não fosse mais lembrada. E ela foi lembrada, por várias e várias vezes. Então, por outras tantas vezes foi esquecida. Não se sabe em qual das curvas ocorreu o acidente fatal, mas suspeita-se de que foi em alguma dessas no começo do caminho. Foi quando começou, que ela deixou de ser a história que mais daria certo entre todas aquelas que deram. Então acabou.