Nunca estudei educação ou didatismo, mas acredito que o nosso método de ensino tem divergido do modo como deveria funcionar. Concluí isto observando a geração que se forma. As pessoas que, naturalmente, vão dominar o mundo nos próximos anos, têm em suas telas quantidade de informação suficiente para mudar o mundo. Apesar disto, não é esta a prioridade daqueles que possuem tal tesouro.
Para esta geração o mundo já está perdido, mesmo. Estas grandes mudanças exigem muito esforço e existem indivíduos responsáveis para isto. Apaixonada pela tecnologia, a nova não-tão-nova geração está constantemente conectada. E não existe problema nenhum nisto, o problema é não ter plena consciência da dimensão que a tecnologia trouxe à vida humana. A mudança global está diretamente ligada ao desenvolvimento tecnológico mas mesmo aqueles que são tão próximos à ele não levam a sério a revolução pela qual a internet nos fez e tem nos feito passar.
Estas pessoas acompanharam o processo modernização do mundo. São aquelas que suaram com as provas mimiografadas, mas são as mesmas que, anos depois, encontraram o conteúdo de outra avaliação na internet. Estas pessoas observaram a internet virar necessidade com os mesmos olhos que viram seus pais trabalhando sem computador. Sequencialmente a isto, ganharam seu primeiro computador. Com internet discada ou não, ter um artigo deste porte era uma revolução na vida daquele ser humano com sua personalidade em formação.
Talvez estas pessoas nem tenham tido tempo de aprender como funciona de verdade a vida profissional, social e até emocional sem um computador com internet.
Tentando imaginar o tamanho da internet (porque imaginar isto é algo quase sem fim e com poucos resultados) e da reviravolta que ela trouxe à vida humana, pode-se imaginar a dimensão de pensamento que estas pessoas "da transição" possuem. Muitos jovens desta época sofreram de depressão ou algum outro problema emocional, pois o excesso gera profunda dúvida e traz à consciência do quanto uma pessoa é pequena em meio ao todo. As referências foram derrubadas. O pai, exemplo de vida, fala que determinado autor foi quem transformou-o em tudo que é hoje. Na internet, uma crítica destrói o livro e o autor e ainda cita outro, que seu pai não conhece, e que faz a maior contribuição que a literatura já recebeu, na opinião de dois ou três sites. Esta geração acredita ver muita coisa errada no país onde nasceu mas comprou o sonho americano ainda criança e, hoje, não consegue perceber onde os dois fatos colidem.
Esta geração precisa ser estimulada. Precisa ser orientada. Quem se informa pela internet precisa acreditar em alguma das fontes para levar a sério alguma informação. Não é que a informação paute a vida das pessoas. É que esta geração sempre possuiu alguma referência.
No momento que vivemos, em que os mais velhos colocam suas convicções como referência para suas atitudes, as convicções antigas já não são satisfatórias para quem dispõe de qualquer convicção que deseje. Esta geração sabe demais. A geração intermediária se renova para pautar as próximas e não para convencer as anteriores, o que aproxima ela muito mais do novo do que da história. O ser humano registra e comunica o que ele faz, é uma atitude tomada por instinto.
Hoje, tanto o registro como as atitude são momentâneas demais. A história se repete em contextos diferentes. Por isso, é necessário saber como é a estrada antes de segui-la. Sem este conhecimento, os mesmos erros se repetirão. É o instinto humano. A razão sobrepõe-se ao instinto e, por isso, as coisas evoluem. Aprende-se sabendo como se faz e a maneira mais comum de aprender é errando. Os erros que não se repetem são aqueles que mais se aproximam dos acertos. É preciso mostrar um pouco mais de vida real para a geração embriagada com a tecnologia, de modo que a vida real permaneça.
O objetivo da educação é formar pessoas. Enquanto a educação não se adaptar ao mundo onde as pessoas de verdade vivem, ela nunca será capaz de preparar um ser humano para participar dele. E não é aprender internet, pois, esta, é auto-didata. Mas aqueles que se incluem na velha guarda e também aqueles que desejam ver alguma continuidade no que acreditam, precisam aprender a viver, a crescer e a evoluir no mundo dos cliques. Desta forma, ele torna-se uma ferramenta para o desenvolvimento da vida humana, com resultados voltados ao mundo real. Os mais jovens já nasceram digitais, e por este motivo, somente a velha guarda, que ainda se adapta ao ritmo virtual, pode ensinar a vida real aos cidadão de um futuro próximo.