domingo, 20 de novembro de 2011

Em casa

Mais uma vez arrasto os pés como quem caminha à procura dos seus sonhos perdidos em outras horas, em outras vidas, em outras camas. Só não estou mais em casa quando os arrasto e os procuro. Já nem sei mais onde ela fica. Desconheço o lugar exato onde posso estar em casa. Talvez me sinta em casa numa quantidade muito grande de lugares distintos. 
O importante de se sentir em casa, acredito eu, é estar à vontade. Eu consigo me sentir à vontade em tantos lugares que acabei por perder minha própria casa. E a questão não é lugar, e sim, as pessoas. De novo, as pessoas. Elas sempre são o fator determinante. 
Em casa, tenho as pessoas que ali vivem, sendo elas as mesmas com as quais vivi parte da minha vida. Nos demais lugares onde me sinto em casa também existem pessoas com as quais vivi parte da minha vida. Esta parte é pequena, mas, dela, é imensa a importância.
No mesmo lugar onde me senti desconfortavelmente isolada, me senti em casa. Uma única pessoa conseguiu fazer-me inverter as sensações. Poucos detalhes me fizeram estar à vontade.
Tranquilamente, eu disse coisas absurdas. Sou sempre assim. Absurda, mas tranquila. Não me importo com as percas de controle. Gosto delas. Gosto de ver, gosto de me envolver nisto e é a única maneira de saber que isto está acontecendo, quando, no futuro, decorrer-se novamente. 
Eu dispenso o rancor. Só sei guardar a saudade. Dói muito mais. É muito melhor, e não pela dor, mas porque a saudade é quando a gente lembra do que sentiu e quer de novo. E sempre me falta um pouquinho. De tudo.